quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

É, saiu...

Em meio às reclamações por não conseguir escrever durante o tempo que me ausentei daqui, meus caros, voltei antes que o ano terminasse com uma frase que justificava o sumiço: cérebro pifado!
Obrigada, Alexandre.

Acidente do neurotransmissor

- Parece que pifou o cérebro! – ele ouvia entre tantos reflexos da iluminação incidente naquele leito ao qual se encontrava. Entre tantos passos direcionados.
Sentia-se em uma experiência científica que não deu certo. O peito nu estirado na maca, repleto de sensores monitorando o batimento cardíaco. Ora essa! O coração era de quem afinal? O barulho de bisturis, a máquina ao lado emitindo bips e freqüências semelhantes que indicavam a sobrevivência do paciente.
Parecia aquele seriado de TV, não parecia? Era o que ele buscava imaginar, naquela embriaguez provocada pelos medicamentos em excesso, tudo para inibir a dor. Que dor, afinal, sentia? Qual o resultado de toda aquela curiosidade em perfurar a carne? Era nítida a expressão desfigurada. Por volta dos 22 anos, acidente de carro, as enfermeiras fofocavam no corredor, entre uma xícara de café e outra.
- Mas vai demorar?
- Deus sabe!
- Sobreviverá?
- Isso é com o doutor.
A discussão perdurou até o chamado do médico, que necessitava de mais algum material para cavucar a cobaia. Uma última costura, uma prévia do que havia feito: trabalho finalizado! Luzes apagadas, de volta à enfermaria.
Abriu os olhos sem saber quanto tempo havia ficado ali. Tentou repuxar o braço que era dominado pelo soro gotejante ao lado. Um sobressalto da cadeira e a senhora correu até o pé da cama.
- Não pode ser! É um milagre!
Ainda com os olhos embaçados, reconheceu a mãe, com algumas rugas a mais. Abatida, aparência cansada. Comemorava algo, chamava as enfermeiras... Mas tinha sido somente uma festa! Para que fazer outra, ainda mais no hospital? A volta de uma festa que não acabou com uma simples ressaca.
- Como você está se sentindo, meu bem? – carinhosa como sempre fora, ela acariciou os cabelos já mais compridos que o de costume.
- Parece que pifou o cérebro! – proferiu, antes de cair em sono profundo.

2 comentários:

  1. Boa, Verzola!
    Não pare de escrever, porra!

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  2. Definitivamente, não pare de escrever! Moça vc é muito talentosa. Bom demais! Passei algumas horas aqui no seu espaço lento seus contos.

    abçs

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