
Achei que era brincadeira, coisa de gente velha falar que o tempo encurta com o passar dos anos. Mentira deslavada afirmar que passar manhãs e tardes no colégio iria fazer falta. Quem foi que disse que eu precisaria da tal da física para o curso que eu pretendia? Ahh, quando eu fizesse 18 anos, tudo seria diferente. Seria sim, tudo mais bonito, eu seria gente grande. Poderia dirigir e entrar nos lugares que eu quisesse. Estudar para a faculdade que eu escolhi depois de tanta matéria chata no ensino médio. Uniforme? Nunca mais teria de usar, o do colégio não. As amizades continuariam as mesmas, melhor ainda, aumentaria o ciclo de amizades. O sonho estava prestes a se concretizar com a minha formatura do “terceirão”. Outro caminho, outras histórias. Esperei tanto para poder dizer que... A decepção veio com os anos adiante meus 17.

Se estou com quase-dezenove e cabeça de sessenta, eu não sei dizer, mas preciso imediatamente de uma fórmula que transforme as 24h em 36h, no mínimo. O sono nunca foi um bem tão precioso, e tão raro. Custo acreditar que sinto falta de manhãs e tardes, vestindo o uniforme azul marinho e branco com a mochila repleta de apostilas nas costas. Hoje, se pudesse, ficaria até noites em claro no colégio estudando física, química e matemática.

Passaram-me uma rasteira. Por que esperei tanto os 18? Queria tanto voltar aos 14. É sempre assim? Esperamos chegar a um ponto para voltarmos? Triste pensar que voltar, a partir de então, apenas por fotos espalhadas pela cama, lendo as provas antigas feita às pressas porque não tinha estudado. Saudade aperta o peito ao passar por aquela mesma calçada, ver que nada lá dentro mudou... Mas que não posso mais desfrutar daquele ambiente. Só restam as lembranças.

Dirigir nunca me pareceu tão necessário. Uma necessidade, e não uma diversão como pensava que seria. E a carteira ainda não veio. Apesar de tudo, não tenho pressa. São tantos acidentes, tantas histórias que ouvimos... A imprudência no trânsito não é mais da boca pra fora, é real e faz inúmeras vítimas. O hábito de ler isso a todo instante, fez do absurdo, cotidiano.
Enfim, as amizades. Ah, com 18, festaríamos horrores! Sairíamos todos os finais de semana, nos encontraríamos em barzinhos tomando cerveja legalmente (agora não precisava pedir para alguém “de maior” comprar!) e cada um compartilharia do universo universitário que agora vivemos. Até a formatura, sairíamos sabendo, além do próprio curso, mais uns três ou quatro. A certeza de que a amizade vingaria minguou. É claro que o carinho e a consideração permaneceram intactos... Mas o contato, quanta diferença. Trocamos as baladas por raros telefonemas. Os bares e a cerveja por um recado de Orkut a cada... Sei lá quanto tempo. A desculpa? Esse mesmo, o tempo – ou a falta dele. Ampliamos a rede de contatos sim, mas superficialmente. Conversa na hora de tomar um café e debater trabalhos que deveriam ser feitos com antecedência e que foram realizados às pressas e de última hora.

O pior de tudo não é somente a saudade que fica da época em que achávamos o cúmulo estudar três capítulos do livro de história. “É muito conteúdo!”. Reclamar faz parte. Hoje reclamo sim, reclamo de como poderia ter aproveitado mais a melhor fase da minha vida. Reclamo de como a postura que assumo hoje é a da gente velha que eu zombava anteriormente. Pior do que assumir a postura que eu não queria e nutrir o perfil que eu não esperava, é que a tendência depois dos 18 é piorar. Dali a pouco sentirei falta do tempo em que tinha tempo para sentar e relembrar histórias, rever fotografias e dizer que se pudesse, viveria tudo de novo.
A nostalgia tomou conta do meu domingo. Ah, como eu odeio domingos.